sábado, 22 de julho de 2017

Na balada

E finalmente 2016 parece ser o ano das festas de 15 anos das amigas de Vini.
E eu, uma pobre mãe aflita em casa, doida para que esse filho ingrato chegasse e contasse todos os detalhes...
Nada.
Nem um docinho para mainha.
Eu, com o coração( e o celular) na mão, até que ele ligasse para ir buscar.O sossego só chegava qdo ele finalmente estava em casa.
Lembrei então, de uma oração que li ainda qdo era criança.
Hoje como mãe de adolescentes que começam a criar asas e sair com os amigos a noite, me pego emocionada lendo essa oração, tão real e tão atual.

Oração da maçaneta
Não há mais bela música

que o ruido da maçaneta da porta
quando meu filho volta para casa.

Volta da rua, da vasta noite,

da madrugada de estranhas vozes,
e o ruido da maçaneta
e o gemer do trinco,
o bater da porta que novamente se fecha,
o tilintar inconfundível do molho de chaves
são um doce acalanto,
uma suave cantiga de ninar.

Só assim fecho os olhos,
posso afinal dormir e descansar.

Oh! a longa espera,

a negra ausência,
as histórias de acidentes e assaltos
que só a noite como ninguém sabe contar!

Oh! os presságios e os pesadelos,

o eco dos passos nas calçadas,
a voz dos bêbados na rua
e o longo apito do guarda
medindo a madrugada,
e os cães uivando na distância
e o grito lancinante da ambulância!

E o coração descompassado a pressentir

e a martelar
na arritmia do relógio do meu quarto
esquadrinhando a noite e seus mistérios

Nisso, na sala que se cala, estala

a gargalhada jovem
da maçaneta que canta
a festiva cantiga do retorno.
E sua voz engole a noite imensa
com todos os ruídos secundários.
-Oh! os címbalos do trinco
e os clarins da porta que se escancara
e os guizos das muitas chaves que se abraçam
e o festival dos passos que ganham a escada!
Nem as vozes da orquestra
e o tilintar de copos
e a mansa canção da chuva no telhado
podem sequer se comparar
ao som da maçaneta que sorri
quando meu filho volta.

Que ele retorne sempre são e salvo,

marinheiro depois da tempestade
a sorrir e a cantar.
E que na porta a maçaneta cante
a festiva canção do seu retorno
que soa para mim
como suave cantiga de ninar.

Só assim, só assim meu coração se aquieta,
posso afinal dormir e descansar.










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