terça-feira, 28 de outubro de 2014

Full House



O dia a dia  numa casa cheia não é fácil, é verdade.
Muitas vezes é caótico e confuso, e porque não dizer...barulhento.
São dois que dividem o mesmo quarto, para usar o banheiro quase sempre se faz fila(tô quase distribuindo fichas), falam todos ao mesmo tempo, muitas vezes, um mais alto que o outro para poderem ser ouvidos...Enquanto uns ouvem música, outros jogam video game e o outro assiste a um filme...barulhos diversos ecoam em nossa casa, vindo de lugares distintos.
Os menores vão sim, usando roupas dos maiores...
Os maiores vão sim, ajudando com os menores...
Brigas e disputas são constantes, seja  pelo melhor lugar no sofá, no carro, na mesa de jantar.
Muitas vezes, roupas são trocadas, comidas são "roubadas", doces divididos e espaços  invadidos.
Sim...é assim mesmo, numa casa com muita gente.

Não, eu não dou conta.Essa é a verdade...rsss

Mas com muita paciência, carinho, dedicação e bom humor,  tudo se ajeita.
Cuidar de  4 filhos, um marido e dois cachorros, realmente não é uma tarefa fácil, exige sim, certos sacrifícios...
Mas as recompensas, acreditem, ultrapassam todas as dificuldades.
A casa vive cheia de vida e alegria.Não existe monotonia.
"Como você consegue dar conta?Eu só tenho um, já fico exausta", é uma das coisas que mais escuto.
A verdade  é que  acredito sim,  ser muito mais fácil cuidar de 4 filhos do que de 1.
Quatro filhos, são muitas crianças...
Brincam juntos, conversam entre eles, se divertem juntos.
Eles se bastam.Não precisam constantemente da minha presença, ou a do pai, para brincar, jogar, conversar ou assistir filme.
Ao contrário, o filho único precisa constantemente da presença do pai e da mãe para suas brincadeiras, suas conversas, sua diversão.
É verdade que ter muitos filhos cansa. Mas muitas vezes, descansa.(pode acreditar!)
Pois com a casa cheia, aprende-se muito sobre o ponto de vista emocional e afetivo.
Muitos ensinamentos sobre a vida , a socialização, cidadania, direito do outro, comportamento, respeito, ... são compreendidos pela simples convivência com os irmãos.
Entre eles, adquirem  relações básicas, tais como, saber competir, compartilhar, negociar, entender que terá que dividir as atenções,  preocupar-se com o outro, respeitar espaços e pensamentos, saber lidar com amigos, aprender uns com os outros.
Saber acima de tudo, dar e receber.
Aprende-se desde muito cedo a partilhar e se organizar.
Quando se vive numa casa assim, cheia, a melhor maneira de sobreviver, é simplificando as coisas, e tornando-as práticas.
Uso muitos adesivos, identificando caixas, embalagens, frascos e locais.
Assim fica mais fácil para todo mundo...e não precisam ficar "mãe, onde está tal coisa?"
Muitas vezes, deixo-os livre, para escolherem o melhor local e melhor forma de organizar suas coisas.Afinal, somos muitos, mas também temos nossas individualidades.
Cada um é uma caixinha de surpresas...são muito diferentes uns dos outros e procuramos respeitar os limites e desejos de cada um.
Estou sempre atenta a cada transformação, palavra ou gesto, para poder tirar proveito de toda essa riqueza que é ser mãe de muitos.
Os filhos não dão só trabalho e preocupações...dão muitas alegrias e compensações também.
Ser mãe de muitos não é mérito, é vocação.

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