terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Ser Pai é ser "presente"




A sociedade atual tem passado por grandes transformações em todos os campos trazendo mudanças ao comportamento das pessoas sem que estas estivessem preparadas para tal.

Tais mudanças afetaram conseqüentemente também a forma de se educar os filhos.

A função de educar os filhos durante muito tempo foi delegada às mulheres. Com a mulher no mercado de trabalho como ficam as questões e as responsabilidades da criação dos filhos?

Mesmo com tantas transformações a criação de filhos continua sendo uma tarefa atribuída culturalmente às mulheres, excluindo o pai, mesmo quando são apontadas vantagens para as crianças e para os homens nesta participação mais intensa na criação de filhos.

Esta exclusão gera conflitos dificultando uma maior participação de muitos pais nas vidas de seus filhos. É bem verdade também que muitos pais estão procurando o seu lugar nesta nova forma de educar e hoje em dia é mais comum vermos pais e filhos brincando, passeando se divertindo juntos.

Mas seria mesmo a presença do pai tão importante para o bom desenvolvimento de uma criança?

Uma série de estudos nos revela que se o papel da mãe é o de acolher o filho investindo muito afeto nesta relação e mostrando que ele tem um lugar em seu desejo cabe ao pai servir como ponte para apresentação e aceitação da realidade à criança.

Para Marta Dalla Torre & Valéria Codato Antonio Silva, por mais que a relação de total dependência do filho com a sua mãe seja uma necessidade vital nos primeiros dias de sua vida é necessário também que a criança possa buscar a sua própria identidade e isto só é possível quando a mãe volta o seu interesses para além de seu bebê. Isto acontece quando a mãe volta a exercer a sua função de mulher inserindo um terceiro elemento na relação dual entre mãe e filho - o pai. Por isto é imprescindível que a mãe e o pai não abdiquem de seu lugar de mulher e homem, pois só assim a transmissão da lei será possível ao filho. É o pai, apresentado simbolicamente pela mãe que assim o faz ao incluí-lo no relacionamento com o filho, que possibilita à criança a ingressar no mundo da linguagem, do simbólico e da cultura.

Sendo assim, a presença do pai ou de uma figura paterna é muito importante para o bom desenvolvimento da criança. Tanto é que na ausência do pai biológico cabe a mãe administrar a ausência do pai, de forma à não prejudicar sua imagem, tão importante para a formação do caráter da criança. Faz-se isso tomando duas importantes atitudes.

Primeiro: Evitando transferir aos filhos problemas que são dos pais, evitando brigas na frente da criança, evitando ficar falando mal do companheiro para a criança e evitando usar a criança para se vingar do companheiro.

Segundo: conforme Denise Mendonça de Melo, proporcionando à criança a presença de uma figura masculina: um avô, um tio ou mesmo um amigo confiável, mesmo que o contato seja esporádico, o importante é que haja muito envolvimento afetivo, atenção, carinho e amor.

É importante ter claro também que todos - homens e mulheres - precisamos de modelos masculinos para crescer emocionalmente equilibrados e que as ligações de emoção e afeto entre pai e filho (a) não são resultados das ligações biológicas e sim que são formadas nas relações de afeto e cuidado no dia-a-dia. Por isto, sempre que possível, o pai deve estar presente na vida de seus filhos acompanhando a gestação, participando de atividades cotidianas logo após o nascimento do bebê fortalecendo assim uma ligação que quer queiramos ou não é para sempre.

Se quisermos dar um sentido e resgatar a importância da figura paterna, precisamos dar uma nova visibilidade à importância e ao significado da família. Precisamos repensar como vão os relacionamentos, o diálogo, o investimento de tempo, o carinho em fim os laços de afeto, afinal como nos diz o Professor Carlos Ronei de Almeida presidente da Escola de pais de Santo Ângelo - RS, "a tarefa, difícil sim, mas maravilhosa, de educar é de inteira responsabilidade de pai e mãe, em igualdade de condições e em comum acordo, pois só eles têm condições de dar amor, impor limites, estabelecer planos e metas do que pretendem para que os filhos alcancem o que todo ser humano, em seu íntimo mais deseja, mesmo sem saber, que é ser feliz".

E para o papai vale lembrar ainda o que Roberto Shinyashiki, renomado psiquiatra e autor de livros diz. Para ele as maiores fraquezas dos homens em seus relacionamentos se manifestam na omissão e na ausência. O homem que procura evoluir enquanto pessoa procura aprender a ver a beleza do cotidiano e da intimidade, bem como a grandeza das pequenas coisas renovando os seus relacionamentos com as pessoas que ama. A ausência do pai gera nos filhos um sentimento de medo de se envolver em relacionamentos saudáveis. É fato que muitas pessoas não evoluem no amor porque se ressentem da falta do amor paterno.

Para ser mais feliz é necessário que o homem-pai perceba que também tem direito à sensibilidade e ao afeto, a medos e a alegrias. E quando ele aprender a valorizar isto na sua própria vida conseguirá valorizar isto na vida das pessoas que ama, inclusive na dos filhos sendo não só presença, mas um presente de afeto.

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